OS ARTISTAS
Vamos
falar um pouco sobre os ARTISTAS, esta classe tão singular de
profissionais e com peculiaridades tão sedutoras. Vamos nos restringir
ao mundo musical, nossa área de interesse, e assim tentarmos
compreender e/ou aceitar melhor, alguns acontecimentos e situações
que fogem à nossa compreensão, mas que com certeza, não
se tratam de acaso.
Seres extremamente sensíveis, quem duvida? Captam sensações
de um mundo não perceptível a nós normais. Algo
mais sutil e por que não dizer; invisível. Se você
defende a máxima do “ver pra crer”, jamais será
um Artista. Creia em tudo, mesmo no inacreditável, se quiser
iniciar sua escalada neste campo.
Estão sempre no mundo da Lua? Não. A verdade é
que transitam com extrema facilidade entre o concreto e o abstrato.
Mas não exprimem um mundo irreal e sim, um mundo bem real. Mesmo
quando descrevem suas viagens intergalácticas ou no interior
de seus corpos e mentes, estão sendo bem realistas.
Estão adiante do nosso tempo? Sim. Sempre. Antecipam comportamentos,
tendências e, em certos casos, acontecimentos. Apontam caminhos
e destinos com anos, décadas e ate séculos de antecedência.
Fazem parte de uma elite que compõem com outros segmentos, a
vanguarda da humanidade. Sua missão está bem clara: nos
ensinar a viver melhor neste imenso e desconhecido universo. Somos seus
alunos.
Sabem se expressar? Sim e com extrema clareza. Nós e que comumente
não estamos preparados e aptos a absorver suas mensagens. É
fato que temos uma visão muito periférica e limitada pela
cultura do meio em que vivemos para captar mensagens com conteúdos
mais universalizantes. O Artista não. Ele possui um dom natural
que o faz insubordinar-se com o estabelecido, pois sua mente vagueia
além dos nossos limites. Eles, os Artistas, derrubam barreiras
intransponíveis aos normais. É comum encontrarmos Artistas
de rincões longínquos e até opostos culturalmente,
dialogando através de sua arte em perfeita sintonia e harmonia.
São temperamentais? Muito. Caminham numa linha tênue entre
admiração e inveja, ou ainda orgulho e vaidade, que os
fazem perder a noção de seus próprios talentos
e limitações. Podem partir para atitudes reprováveis
baseados em débeis argumentos que, numa análise um pouco
mais criteriosa ou racional, não levariam a termo. Muito cuidado
ao julgá-los. Alias, não julgue.
Recebem a remuneração que merecem? Não. Deveriam
receber adicional noturno, insalubridade, periculosidade, penosidade,
dupla-função, etc. Jamais aposentadoria e, principalmente,
a aposentadoria precoce, neste caso, uma verdadeira crueldade. IMPORTANTE:
alguns “artistas” não mereciam receber absolutamente
nada por suas “artes”.
Lidar profissionalmente com esta turma pode ser gratificante desde que
se abdique da rigidez e do preconceito. Aprenda a escutá-los
de coração aberto e mente limpa. Não tente territorializá-los,
ao invés disso, salte corajosamente e de olhos fechados neste
imenso e desconhecido universo, habitado por eles. Taí queria
ser um Artista.
Arildo
bluesman Março de 2003