AGORA
É APENAS ROQUE ENRROU!
Já falamos de Blues
e agora vamos falar de Rock. Só que quando falamos de Rock, precisamos
especificar o tipo de Rock. Convenhamos que, nos dias atuais, o ecletismo
do Rock exige esta definição. Nos dias atuais existem
bandas de rock que, definitivamente, não tocam Rock.
O desapego ao saudosismo e a aceitação das novas tendências
deve existir, concordo. Assim como devem existir também limites
preestabelecidos para se definir os gêneros musicais. Uma formação
com baixo, bateria e guitarra não define uma banda ou grupo como
“de Rock”. Um cabelo grande, uma influência de Zeppelin
ou um solo estridente de guitarra poderá também nos induzir
ao erro.
O Rock atual aceita influências das mais diversas. Não
estamos falando deste vasto universo, que permite uma riqueza rítmica
de fazer inveja aos mais destacados músicos estrangeiros, que
babam com os nossos arranjos. Bandas como Roque Malazartes que mistura
o Rock com música folclórica e regional; Mané Sagaz
com o seu samba-punk e Sarrafo que tempera seus Rock`s com a batida
do maracatu e do baião, são bons exemplos do que estamos
querendo dizer.
Do Rock n`Roll tradicional, precedido pelo Rockabilly aos atuais Trash,
Death e New Metal, muita água, ou pedra melhor dizendo, rolou
por debaixo da ponte. Ainda hoje não se define muito bem onde
fica o Heavy Metal e o Hard Rock. Alguns especialistas em anos 70 recorrem,
sem muito sucesso, aos nomes das bandas para delimitar os espaços
de cada um destes estilos. O progressivo em trinta anos de vida adquiriu
contornos indefinidos e extremamente fluídos. Encontramos atualmente
uma turma que afirma existir o Rock Progressivo e o Progressivo como
outro gênero distinto, delimitando inclusive o recorte temporal
do nascimento de ambos. Acreditem; isto é verdade. E mais uma
vez recorrem, no desespero de se fazer entender, aos nomes das bandas.
Entretanto quando nos propomos a escrever sobre Rock, obrigatoriamente
temos que começar pelo Rock n`Roll. O bom e velho Rock n`Roll.
Daquela batida Stoneana que envolve e seduz a mais sisuda platéia:
sejam jovens de 15 anos ou cinqüentões grisalhos. A introdução
de Honk Tonk Women é uma das provas do que estamos querendo expressar
aqui. Impossível ficar quieto ou indiferente. Remexer o corpo,
sacudir os cabelos ou ainda dar aquele tapinha nas pernas. Quem nunca
fez isso uma vez na vida, hein?
Impossível chamar estas admiráveis e valorosas tendências,
de Rock n`Roll. Rock sim, podemos admitir, é claro, mas Rock
n`Roll é algo bem mais definido, concordam? Mas sobre isso falaremos
mais adiante, por enquanto...
“... it`s only rock n`roll, but i like. “
Arildo bluesman
Maio/2002