TRABALHO
AUTORAL OU COVER: UMA DIFÍCIL DECISÃO!
Um grande dilema acompanha as bandas atualmente, sejam elas novas ou
antigas. Dedicar-se a um árduo trabalho autoral ou entregar-se
ao rápido apelo do trabalho COVER? Muitos músicos e bandas
têm me perguntado sobre o assunto. Informo apenas que valorizo
bem mais um trabalho autoral.
O talento se reflete nesta hora em que composições e arranjos
demonstram de forma clara a capacidade de cada um. Criatividade, talento,
técnica e conhecimento unidos, demonstrando que ainda existe
muito material a ser explorado. A grande e perversa batalha se trava
na hora de apresentar este produto a um público pouco receptivo.
As gravadoras sabem disso e preferem caminhar num terreno já
explorado; de rápida assimilação auditiva. Temos
uma tendência a aceitar mais facilmente o que já conhecemos.
Talvez por isso a enxurrada de grupos e bandas que se assemelham musicalmente.
Trocam uma roupa aqui e outra ali, adquirem uma postura mais ou menos
agressiva, mas no fundo reproduzem o modelo predeterminado e, por que
não dizer a verdade; imposto. Naturalmente que este procedimento
diminui o número de “astros” e – o mais cruel
– segrega o artista apenas talentoso, porém sem poder de
penetração no meio. Um influente produtor/empresário
é capaz de transformar o pó em ouro. Naturalmente que
cobra caro por isso e, como sabemos, nem todos podem pagar. Se gasta
bem mais em propaganda do que propriamente com produção.
A alternativa mais cômoda e atualmente mais utilizada, consta
em apresentar um trabalho na linha COVER ou TRIBUTO e, a partir de então
tentar inserir o trabalho autoral. O risco é grande devido ao
imediatismo e nem sempre positivo a longo prazo. O público convocado
pela chamativa filipeta que o informa sobre um show com as músicas
de seu ídolo poderá decepcionar-se em não ouvir
somente as músicas do seu ídolo. Deparamos com cartazes
que se destacam pela beleza e pela informação do tipo:
“Tributo a Frank Sinatra”. O público é seduzido
antes mesmo de saber a qualidade do som que lhes será apresentado.
Devemos lembrar aqui - mas não citar para evitar melindres aos
não citados - que existem bandas de altíssimo nível
que, reproduzindo ou não fielmente seus ídolos, conseguem
apresentações de extrema qualidade e bom gosto. Alguns
até conseguem um nível de apresentação superior
ao original. Cantores mais afinados e instrumentistas superiores aos
seus homenageados ou tributados.
Finalmente, não vou me perder em críticas ao universo
fonográfico ou mesmo a programação das rádios
e TV`s. Considero este assunto demasiadamente explorado. Estaria apenas
reproduzindo tudo que já foi dito. Gostaria apenas de deixar
uma mensagem final aos leitores;
PRESTIGIEM OS TRABALHOS AUTORAIS, COMPARECENDO AOS SHOWS E COMPRANDO
O CD!
Arildo bluesman Setembro/2002